Soneto: FENOMENOLOGIA DO VERSO ERRANTE



FENOMENOLOGIA DO VERSO ERRANTE


Ó frágil melodia! – que me envolve,
A angústia metálica despedaça,
Treva incandescente que me revolve, –
Grito que o destino – ímã! – rechaça.


Nas dobras do texto – ácido some... –
Linguagem, sangue, tece vil desgraça,
E o poema – arquétipo me consome –,
Ressoa: eco de trágica ameaça.

Mentir: seria o traço – que obnubila...
Ou a verdade nua em cristal sereno? –
Que no papel místico se aniquila,

Além do signo efêmero e terreno,
Kant murmura: é essência que exila... –
Entre o real e o sonho, no seu pleno.


Almir 25-03-2025


















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