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Soneto: Soneto sobre a Páscoa

Soneto sobre a Páscoa ​Do sepulcro, sidérea claridade, Emerge Cristo pela epifania; Vencendo as trevas, mortal algentia, Reveste-nos de excelsa imensidade. ​Esta alma, pela augusta soledade, Encontra na suprema eucaristia Místico fervor quando principia; Transcende, pois, toda fugacidade. ​Ó triunfo sublime, luz fulgura, Transformando em êxtase o mal latente, Alçando-o à empírea magnitude! ​Sob a hierofania, a paz se augura, A fé, qual flama áurea permanente, Consagra-nos na suma plenitude. Almir - 04/fevereiro de 2026

Soneto: Fractais do espírito

FRACTAIS DO ESPÍRITO  Quais palavras, no poema, vão expor de forma fidedigna, este sentir? Crestomatia emotiva, torpor, sinais difíceis para traduzir. Ante reflexões, o interlocutor vê diante do lânguido devir: em conhecer o próprio eu interior  dilema mais difícil de inferir. O poeta com lápis entre os dedos reflete, interpreta, sente, traduz...  o papel traz à tona seus segredos. Os versos irrompidos ante à luz São fractais de miasmas em degredos em busca desta essência que o conduz. Almir - 13/10/2025

Soneto: O VATE AUGUSTO EM SUA ETERNIDADE

 O VATE AUGUSTO EM SUA ETERNIDADE  Augusto cujo sangue o fel destila Venenos transmudados em lamento E cada verso irrompeu o teu tormento Quanta horripilância a mente aniquila? Das salas onde o tempo se perfila Professor supremo do pensamento Transformas toda podridão em portento Cada átomo vil em ti cintila   Qual enigma nas células invade? Esta verdade que abrasa e consome Dissecando voraz infinitude? Pelo átrio onde a dor já persuade Desvela-se agora o místico nome: Dos anjos, na eternal imensitude!                Almir 13-06-2025

Poesia em versos livres: Fases

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  FASES   Sou de fases como a Lua! Oscilo como as marés. Venho farto e visceral transbordando sentimentos trazendo prosperidade como as cheias do Amazonas blandiciando com meu ethos o que há de melhor em mim. A maré uma hora desce recolho-me ao restrito E não estou para ninguém! acrisolado e recluso num hermetismo alquimista até a próxima fase.  Sou um eterno paradoxo [crestomatia emotiva].                   Almir                

Soneto da semana: O Último Brinde do Boêmio

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O ÚLTIMO BRINDE DO BOÊMIO  Despeço-me da vida, o sangue escorre   Qual gotas na clepsidra do destino,   O absinto queima, néctar assassino,  Como os sonhos que a morte em mim socorre.   Meu coração poeta assim já morre   Vendo este amor buscar outro caminho,   Clamo a noite no derradeiro vinho   Para um peito que em chamas se descorre.   Abraço o cálice da despedida,   Nas sombras danço a última canção,   Pois viver sem amor é  vil ferida.   Que o sangue seja tinta em minha mão,   E a morte, enfim, minha arte mais querida,   Onde encontro, por fim, consolação. Almir - 3 de junho de 2025.

Soneto: FENOMENOLOGIA DO VERSO ERRANTE

FENOMENOLOGIA DO VERSO ERRANTE Ó frágil melodia! – que me envolve, A angústia metálica despedaça, Treva incandescente que me revolve, – Grito que o destino – ímã! – rechaça. Nas dobras do texto – ácido some... – Linguagem, sangue, tece vil desgraça, E o poema – arquétipo me consome –, Ressoa: eco de trágica ameaça. Mentir: seria o traço – que obnubila... Ou a verdade nua em cristal sereno? – Que no papel místico se aniquila, Além do signo efêmero e terreno, Kant murmura: é essência que exila... – Entre o real e o sonho, no seu pleno. Almir 25-03-2025

Soneto da semana: Incenso ardente

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INCENSO ARDENTE Ah! Eu sou o mais amado curitibano, desvendando da vida o sacro enigma; o qual advém do tempo, mestre arcano, e o fado em epifania consigna. Tu  me aguardas em ânsia tão sublime, lânguida espera, notória irradia, grande  afeto, que o tempo não suprime, paixão benta cujo verso alumia. Na taça que transborda, vacilante, em noites de boêmia que consome, lapida-se o prazer em diamante. Vida, qual incenso, é transitória, mas o teu aroma etéreo toma nome na sagrada espiral de minha glória.            Almir - 06/03/2025